domingo, 21 de junho de 2009

Desistir ? Eu? Nunca!!!!

Costumo dizer que para se fazer arte no Brasil é preciso ser um apaixonado, e para se fazer jornalismo é preciso além de amar, ser completamente convicto no que quer. Isto porque, qualquer outra profissão, poderá ser escolhida, ou pelo fator grana, ou pelo status, ou pelo campo de trabalho, etc., mas o jornalismo só se enquadra na paixão e na convicção.
Desde que comecei a fazer jornalismo, no segundo semestre de 2007, tinha tudo para desistir. Não tinha um bom salário, morava de aluguel, longe da faculdade e não tinha grana para o transporte (ohhh dó, rs). Um outro agravante era ser sozinha nesta cidade, sem nenhum parente ou amigo com quem pudesse contar nas horas de necessidades financeiras. Mas, ser jornalista por formação sempre foi o que almejei e jamais desistiria por conta de obstáculos superáveis. O engraçado nisso tudo (engraçado para não dizer trágico) era que os professores desde o início do curso, nos desestimulavam ferrenhamente. Os iniciantes na academia de jornalismo, tem o sonho de fazer diferente, traz um pouco de romantismo, aquela paixão desenfreada pela profissão, aí recebem um banho de água fria (gelada seria o termo correto). “Meus queridos, vocês têm que entender que não adianta ser um ótimo repórter, um ótimo redator, um excelente roteirista, querer trabalhar em prol da sociedade, porque quem manda em você é o seu chefe. Você é meramente uma peça manipulável nas mãos dos poderosos “donos” dos meios de comunicação, além disso, vai trabalhar muito e ganhar pouco”. Durante 03 semestres de jornalismo, ouvimos esse mesmo discurso da boca de nossos queridos professores. Aqueles, cujo papel, eu acreditava que fosse mostrar caminhos para que pudéssemos contribuir para a mudança dessa realidade nojenta apresentada todos os dias, nos jornais, no rádio, na TV, etc. Certo dia, um professor querido, uma pessoa extremamente simpática e boa gente, teve a infeliz idéia de tocar nesse assunto novamente, mas para infelicidade dele e minha também, eu estava na TPM (cólicas horríveis e humor pior ainda), quem me conhece sabe que quando perco a compostura fico péssima. Nesse dia eu me exaltei (depois me arrependi amargamente), gritei que não agüentava mais ouvir aquela ladainha!!! Falei um monte de coisa engasgada na garganta (na verdade eu deveria ter dito a outros professores, ele era o que menos merecia ouvir).
Eu não aconselho a ninguém, sair do ponto de equilíbrio como eu saí!!! Deixar a raiva tomar conta de todo o resto do corpo!!! Mas, acredito que é válido expor aquilo que nos aborrece, embora, de formas mais civilizadas e que venham a surtir resultados positivos. Depois daquele ensejo, nunca mais outro professor ousou mencionar o mesmo discurso. Porém, a realidade se encarregou de dar um golpe bem dolorido nos pretensos jornalistas. A obrigatoriedade do diploma para se exercer a profissão, é, definitivamente desnecessária, desde o dia 17/06/09. Mas, se você, caro acadêmico, assim como eu pretende fazer a diferença nesse meio, e não ser meramente, mais um na multidão!!! Seja bem vindo ao clube, porque o Brasil merece um jornalismo responsável e de qualidade, e somente a formação nos dará subsídios para que isso seja possível. Ahhh... E se você pensa em desistir do curso em decorrência da não obrigatoriedade do diploma, antes de acreditar em tudo que é veiculado nos jornais do país, procure outras fontes confiáveis e saiba mais sobre o assunto antes de tomar sua decisão definitiva. Mas, se ainda assim, desistir, seja feliz no outro caminho que escolher, afinal, diante da sua desistência, só posso concluir que nunca fora realmente um apaixonado pela comunicação social. Sendo assim, é mais satisfatório fazer o que ama a condenar sua vida à frustração.

Por Mary Paes

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